No artigo deste mês, fique a conhecer a avaliação de risco cardiovascular, um passo fundamental para que possa fazer exercício em segurança.
Veja ainda seis dicas para cuidar bem do seu coração.
As doenças cardiovasculares são um conjunto de problemas que atingem o coração e os vasos sanguíneos, que podem surgir devido a problemas hereditários, idade ou estilo de vida.
Alguns exemplos de doenças de coração mais frequentes são: enfarte agudo do miocárdio (ou ataque cardíaco), insuficiência cardíaca, arritmias, angina de peito, hipertensão arterial ou aterosclerose.
As doenças cardiovasculares, a par com o cancro, são as principais causas de morte em Portugal (segundo o estudo da Comissão Europeia — Portugal Perfil de Saúde 2021).
Ter uma alimentação cuidada e fazer exercício físico são dois dos factores com maior peso na prevenção deste tipo de doenças.
No que toca à actividade física, para quem pretenda iniciar uma rotina de exercício, é essencial procurar um personal trainer qualificado, para uma avaliação inicial, chamada de estratificação do risco cardiovascular, para avaliar a sua condição física actual e perceber que exercícios se poderão adaptar melhor a si.
Este passo é fundamental para que possa fazer exercício em segurança e com todo o acompanhamento necessário.
Fique a conhecer melhor no que consiste esta avaliação, bem como quais os factores de risco avaliados e os principais sintomas que podem indicar a presença de uma doença cardiovascular.
Por fim, deixo-lhe algumas práticas para que possa cuidar melhor da saúde do seu coração.
O que é estratificação de risco para doenças cardiovasculares e para que serve?
A estratificação de risco faz parte da avaliação que é feita antes de dar início a uma rotina de exercício físico. Este procedimento é muito importante, pois vai permitir que o profissional possa desenhar um plano de exercício adequado à sua condição física e de saúde.
Esta triagem é composta por quatro momentos:
- Onde se estabelece o historial médico para perceber se existe alguma condição mais específica que possa limitar a prática de exercício ou testes de esforço.
- Neste ponto, são avaliados possíveis sinais e sintomas de doenças cardiopulmonares (tendo ou não sido previamente diagnosticadas).
- Nesta fase, é avaliada a predisposição para a pessoa desenvolver ou não uma doença São analisados os factores de risco.
- A idade é também um ponto importante a avaliar, para perceber se a pessoa está ou não dentro ou acima do limite de idade, acima do qual aumenta o risco de desenvolver uma doença cardiovascular. As idades diferem entre géneros: 44 anos para homens e 54 anos para mulheres.
Tendo como base os resultados desta avaliação inicial, existem três cenários possíveis:
- Se existe uma condição prévia e sinais da presença de uma doença cardiovascular: é necessário realizar um check-up médico, uma prova de esforço com a presença de um médico.
- Se existe uma predisposição para o desenvolvimento de uma doença cardiovascular e a pessoa está dentro ou acima do limite da idade:
– Para quem faça exercício físico de forma intensa: tem de realizar um check-up médico, uma prova de esforço (sendo que não é necessária a presença de um médico se realizar um teste submáximo)
– Para quem faça exercício moderado: é realizado um teste máximo e submáximo (sendo que não é necessária a presença de um médico no teste submáximo). Neste caso, não é necessário check-up médico, mas aconselhado à mesma.
- Caso não tenham sido identificados factores de risco na triagem: é aconselhado check-up médico e uma prova de esforço.
Veja abaixo quais os factores de risco e principais sintomas para o desenvolvimento de uma doença cardiovascular.
8 factores de risco para desenvolvimento de uma doença cardiovascular
- Fatores de risco familiares
A história familiar é um dos factores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Mais em concreto, para situações de enfarte do miocárdio, revascularização coronariana ou morte súbita antes dos 55 anos no caso do pai (ou outro parente de primeiro grau do sexo masculino) ou antes dos 65 anos no caso da mãe (ou outro parente de primeiro grau do sexo feminino).
- Fumar
Não é novidade para ninguém: fumar pode matar. Quem fuma, ou deixou de fumar nos últimos 6 meses está mais vulnerável ao aparecimento de complicações de saúde, nomeadamente cardiovasculares.
- Hipertensão
A hipertensão acontece quando se dá um aumento da pressão do sangue na parede das artérias durante a sua circulação. Considera-se que uma pessoa é hipertensa quando a sua pressão arterial sistólica (ou máxima) é maior ou igual a 140 mmHg ou pressão arterial diastólica (ou mínima) maior ou igual a 90 mmHg.
- Dislipidemia
A dislipidemia acontece quando existe um aumento de lípidos no sangue. Existem dois tipos de lípidos: o colesterol e os triglicéridos. Esta condição apresenta riscos para a saúde, uma vez que pode haver uma obstrução do fluxo sanguíneo devido à gordura acumulada nas paredes das artérias.
- Glicose de jejum
Trata-se da taxa de glicose (ou açúcar) no sangue após um jejum de 8 a 12 horas. Este exame é utilizado para diagnosticar diabetes. Níveis iguais ou superiores a 100 mg/dL podem ser factor de risco.
- Obesidade
A obesidade é outro factor que pode facilitar o aparecimento de uma doença cardiovascular.
- Estilo de vida sedentário
Pessoas que não façam exercício com regularidade (pelo menos 2h30 de exercício moderado por semana), têm mais probabilidade de desenvolver uma condição de saúde cardiovascular.
- Stress
Sabia que 40% da população sofre de stress? Existem três cenários que podem facilitar o seu aparecimento:
– Situações originadas por uma catástrofe (por exemplo: um incêndio) ou alguma outra situação pontual extrema com a qual temos dificuldade em lidar (estas situações originam stress agudo);
– Rotina exigente, imprevisível, com pressa, onde não há espaço para relaxar (estas situações originam stress crónico);
– Pessoas muito exigentes, competitivas, com dificuldade em gerir o tempo têm maiores probabilidades de sofrerem de stress. Comportamentos aditivos para responder a momentos de stress, como fumar, beber ou ter uma alimentação com muito sal e/ou gorduras, bem como uma vida sedentária também facilitam o aparecimento de doenças cardiovasculares.
9 principais sintomas que podem indicar doença cardiovascular, pulmonar ou metabólica
- Dor ou desconforto no peito, pescoço, mandíbula, braços ou outras áreas que podem resultar de isquemia
Isquemia trata-se do estreitamento/bloqueio das artérias que alimentam a área afectada.
- Falta de ar em repouso ou com esforços leves
A dispneia é um desconforto respiratório. Pode ocorrer durante grandes esforços, no caso de pessoas saudáveis e em boa condição física, ou em esforços moderados no caso de pessoas saudáveis e sedentárias. É um dos principais sintomas de doenças cardiovasculares e pulmonares.
- Tontura ou síncope
A síncope (definida como perda de consciência/desmaio) é mais comummente causada por um fluxo sanguíneo cerebral inadequado. Tonturas e, em particular, perdas de consciência durante o exercício podem resultar de distúrbios cardíacos que impedem o aumento normal do débito cardíaco.
- Ortopneia ou dispneia noturna paroxística
Ortopneia refere-se à dificuldade em respirar que acorre quando a pessoa está deitada, sendo aliviada quando a pessoa se senta ou levanta. No caso da dispneia noturna paroxística, trata-se da dificuldade em respirar quando a pessoa se deita, ocorrendo habitualmente 2 a 5 horas após o início do sono. Tal como a ortopneia, também é aliviada quando a pessoa se senta ou levanta.
- Edema no tornozelo
Trata-se do inchaço dos tornozelos, que é mais evidente à noite. Este é um sinal que pode indicar insuficiência cardíaca ou insuficiência venosa crónica bilateral.
- Palpitações ou taquicardia
As palpitações podem ser induzidas por vários distúrbios do ritmo cardíaco: taquicardia, bradicardia de início súbito, batimentos ectópicos, pausas compensatórias e volume sistólico acentuado resultante de regurgitação valvar (refere-se a uma válvula malformada ou danificada que permite o refluxo do sangue).
- Claudicação intermitente
Este termo refere-se à dor que ocorre devido a um estreitamento progressivo de uma artéria da perna. É uma sensação de dor, cãibra ou cansaço nos músculos da perna, durante o exercício físico. Ela intensifica-se ao subir escadas ou em subidas inclinadas. Esta dor desaparece após um ou dois minutos após a interrupção do exercício físico.
- Sopro cardíaco
Trata-se de uma alteração cardíaca que provoca o aparecimento de um som extra durante o batimento cardíaco. Nem todos os sopros são indicadores de doença cardiovascular.
- Fadiga incomum ou falta de ar com atividades rotineiras
Em algumas situações, estes sintomas podem sinalizar a existência de uma doença cardiovascular, pulmonar ou metabólica.
6 passos para um coração – e uma vida – mais saudáveis
- Não fumar e evitar locais com fumo, uma vez que fumar é um dos factores que mais contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Alguns dos produtos químicos que compõem o tabaco, bem como a nicotina, podem prejudicar o funcionamento do coração e vasos sanguíneos.
- Ter uma dieta saudável é também um factor muito importante para manter o seu coração no ritmo e a funcionar correctamente. Privilegie uma alimentação variada, com destaque para a ingestão de frutas, vegetais, leguminosas e cereais integrais.
- Mantenha-se em movimento, nem que sejam 30 minutos por dia. A OMS recomenda a prática de pelo menos 2h30 de exercício moderado por semana.
- Vá controlando a sua pressão arterial, sendo que, idealmente, a pressão arterial máxima deve estar igual ou abaixo dos 120 mmHg e a mínima igual ou abaixo dos 80 mmHg.
- Esteja atenta ao seu peso, uma vez que o excesso de peso está associado a uma alta pressão arterial, colesterol elevado ou diabetes, o que aumenta o risco de surgimento de uma doença cardiovascular.
- Mantenha os níveis de stress dentro do aceitável, de forma a não interferir com a sua rotina e saúde do coração. Faça exercício, procure actividades relaxantes e cuide do seu sono.