O nosso corpo está desenhado para ser saudável e ter autonomia para se proteger de determinadas condições/doenças. Para isso, ele conta consigo para lhe dar uma ajuda. E como? Através de hábitos saudáveis que lhe dêem ferramentas para corrigir desequilíbrios e defender-se.
São considerados hábitos saudáveis tudo aquilo que nos ajuda a manter a saúde física e mental. De forma geral, devemos todos ter as mesmas preocupações, porque somos todos humanos e padecemos, normalmente, dos mesmos problemas.
A definição de hábitos saudáveis é igual para todos?
Na minha opinião, dentro de cada “categoria”, os hábitos saudáveis de uma pessoa podem não ser os mais indicados para outra.
Por exemplo: pensemos na alimentação e no exercício físico, dois temas com um grande peso para uma vida com mais saúde.
No entanto, os alimentos que o meu organismo precisa não serão necessariamente os mesmos que o seu organismo precisa. Assim como no exercício físico: eu posso precisar de trabalhar mais a minha flexibilidade e a leitora mais a sua coordenação.
Somos todos humanos, mas cada pessoa é única e, por isso, é preciso fazer as adaptações necessárias a cada indivíduo em particular.
Ter tempo para si, respirar ar puro, rir com os amigos, trabalhar a paz interior, entre outros, também considero como hábitos saudáveis, fundamentais para uma vida mais positiva e animada, o que vai impactar positivamente na sua saúde física e mental.
Cuide de si hoje para ter saúde amanhã
Tirando a componente genética e os imprevistos da vida, como um acidente ou um trauma grave, a maioria dos problemas podem ser evitados, se escolhermos cuidar de nós da melhor forma.
Se optarmos por comer de forma regular alimentos de baixo nível nutricional, podemos estar a contribuir para ganhar doenças como diabetes, colesterol alto, hipertensão, obesidade, etc.
Se não nos apetece mexer e acabamos por ceder à preguiça, acabamos por criar uma postura fraca e ineficaz, o que pode originar doenças como a osteoporose ou escoliose, não estimulamos o nosso sistema cardíaco, respiratório, etc.
Temos também a questão mental, que ganha cada vez mais importância nos dias de hoje. Uma vida pautada por stress constante pode levar ao desgaste, fadiga crónica, cansaço e depressão.
Um cuidado global com a sua saúde física e mental – com equilíbrio e sem extremismos – pode evitar muitos problemas, não só no momento presente, como no futuro.
8 hábitos saudáveis para uma vida mais feliz
Deixo-lhe uma lista de oito hábitos que considero mais importantes para uma vida mais plena e satisfatória a todos os níveis.
1. Respiração
Começamos pelo mais importante! Podemos sobreviver uns dias sem nos alimentarmos, mas sem respirar não é possível. A respiração é algo que fazemos naturalmente e, por isso, não costumamos dar-lhe relevância, mas a forma como o fazemos pode ajudar ou dificultar a funcionalidade dos nossos sistemas e órgãos.
As células necessitam de oxigénio para trabalharem, ou seja, se não chegar oxigénio suficiente, começam a enfraquecer e ficam susceptíveis a doenças.
E como respirar melhor? Respire sempre pelo nariz, e tenha uma respiração abdominal, em vez de ser pelo peito/tórax. Não é fácil mudar de repente, mas com algum treino e consciencialização, é possível!
2. Hidratação
50 a 60% do nosso peso é composto por água, e o cérebro é constituído por cerca de 70% de água.
Entre os seus muitos benefícios, encontram-se a limpeza do organismo, regulação da temperatura corporal, transporte de nutrientes, ajuda na produção de energia, e tantos outros.
Não lhe vou dizer que tem de beber dois litros de água por dia. A quantidade necessária vai depender da constituição física, nível de actividade e o ambiente onde está inserida. O conselho que lhe deixo é ir bebendo água várias vezes ao dia e esteja atenta aos sinais do corpo, porque ele comunica consigo. Se sente sede, é porque precisa de se hidratar. Se a sua urina tem um tom mais amarelo escuro, é porque não está a beber água suficiente.
3. Alimentação
Tal como as anteriores, a alimentação faz parte das actividades essenciais à sobrevivência. Tudo o que ingerimos vai determinar se estamos a piorar ou a ajudar o nosso estado interno a nível de órgãos, sistemas, químicos, etc.
Possivelmente, quem tiver uma alimentação pobre durante a vida toda, irá pagar caro com a sua saúde.
A variedade e qualidade são os pontos-chave para tirar o melhor partido dos nutrientes ingeridos e contribuem para um organismo saudável.
Além disso, planear as suas refeições vai permitir-lhe saber o que vai comer em cada dia, e não ficar à mercê do que vê primeiro no supermercado, sendo também fácil de resistir à tentação de comprar comida processada.
4. Movimento
O exercício físico é fundamental para a sua saúde mas, mais do que o exercício, é a forma como gere o seu dia-a-dia que vai impactar na sua saúde e níveis de bem-estar.
Se está sentada a maioria do tempo dos seus dias, a mudança que pode fazer mais imediata é levantar-se de 30 em 30 minutos, nem que seja só para dar 5 ou 6 passos ou fazer um alongamento.
A forma como nos sentamos, levantamos, movemos também tem grande impacto em todos os nossos sistemas, como o circulatório, digestivo, nervoso, etc.
Deixo-lhe algumas sugestões:
- Tenha um plano de treino semanal que inclua exercícios posturais, cardiovasculares e musculares
- Levante-se sempre que possível
- Tenha atenção à sua postura em todas as situações do seu quotidiano
5. Sono
O sono é uma parte crucial da nossa saúde, por isso, não menospreze este tempo de reparação. Grandes níveis de stress, pouca concentração e sistema imunitário enfraquecido são alguns dos efeitos de dormir pouco.
Por isso, dê prioridade ao seu sono. Consoante a sua hora de acordar, faça contas para dormir sete a oito horas, e tente não variar muito as horas de deitar e acordar, para o seu organismo ter uma rotina de sono.
Sei que é difícil, mas tente não levar os problemas ou pensamentos stressantes para a cama. Tente resolvê-los antes, porque se os levar, vai ficar a pensar nisso e não vai conseguir adormecer.
O tempo de sono é tempo de descanso, repouso. Seja disciplinada, a sua saúde vai agradecer!
6. Ambiente
O ambiente externo onde vivemos pode fazer a diferença na nossa saúde.
A nossa vida, às vezes, resume-se a espaços fechados e a circulação do ar é feita por aparelhos de ar condicionado. Por isso, sempre que possível, abra a janela e respire ar fresco! Sempre que possível, caminhe no exterior. Se vive numa cidade com níveis de poluição elevadas, procure um espaço verde para ir passear um pouco e respirar ar de qualidade, nem que seja só por 10 minutos.
Sempre que conseguir, faça com que o seu corpo estabeleça ligação directa à Terra para receber a sua energia. Também fazemos parte dela, mas vivemos como se fossemos “um mundo à parte” do planeta onde estamos. Ande descalço na areia, nas rochas, na relva, mergulhe no mar, toque nas árvores.
O sol também faz parte desta equação. A exposição ao sol tem muitos benefícios, como reduzir o risco de doenças cardiovasculares ou como melhor forma para apanhar vitamina D, sempre que moderada. Por isso, sempre que conseguir, vá apanhar sol com, pelo menos, 40% de pele exposta.
Em resumo: respire ar puro, esteja em contacto com a terra e apanhe sol!
7. Barefoot
Os pés devem ser fortes, estáveis e uma fonte sensorial importante. Isto significa que os pés são parte integrante da manutenção da nossa postura bípede e dão a percepção da nossa posição do corpo. Por isso, devemos mimar os nossos pés, dando-lhes espaço para fazerem o seu trabalho.
Com sapatos de sola grossa, saltos altos, plataformas, sapatos em bico ou que compactam todo o pé, estamos a retirar todas estas capacidades inatas, uma vez que estas solas e saltos não permitem sentir o chão, logo a parte sensorial não é utilizada correctamente ou em pleno. Além disso, a forma do sapato não permite que o pé se forme com a estrutura capaz de dar estabilidade e de criar a musculatura vigorosa que devia ter.
Desta forma, andar descalço ou com sapatos minimalistas são boas opções.
8. Mental
Uma saúde plena é composta pela parte física e também mental. O nosso bem-estar emocional é, sem dúvida, uma ferramenta indispensável para tudo funcionar bem.
Imagine que até tem uma alimentação equilibrada, tem uma vida relativamente activa, mas está sempre em stress com muita ansiedade. Muito provavelmente, vai começar a afectar o sono, logo não vai descansar o que devia e inicia-se um processo de degradação que até pode ser lento e invisível mas que, mais cedo ou mais tarde, vai ter consequências.
Pensamentos negativos, também, não vão suportar a ideia de mudança. Vai sabotar-se a si própria e isso vai dificultar qualquer forma de progresso, além de que se pode reflectir no seu corpo, num músculo, órgão ou sistema.
Por isso, o que lhe sugiro é que encontre algo que seja terapêutico para si que a ajude a aliviar o stress e a sentir-se bem consigo. Há quem recorra ao yoga, à meditação, a apoio psicológico ou, simplesmente, pintar, dançar ou ler. Descubra a forma de se manter sã.
Hábitos saudáveis são uma escolha
Escolha mudar passo a passo e não tudo ao mesmo tempo. Comece pelos hábitos que serão mais fáceis de alterar para si, mas, mais importante que tudo, ouça o seu corpo. Certamente, ele saberá o que é melhor para si. Depois de experimentar cada hábito, deve conseguir ajustá-lo a si e, mesmo que haja um ou mais que não lhe faça sentido agora, fique ciente que um dia pode acabar por ser importante fazer a mudança.
Comece por analisar as suas rotinas diárias e perceber por onde pode começar. Vá fazendo as mudanças ao seu ritmo, mas com disciplina e consistência para, desta forma, prolongar a sua vida autónoma, sem doenças, em paz e feliz, confortável consigo própria.
Escolha a sua saúde, vitalidade e felicidade. Sempre!