Conheça melhor esta doença que afecta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva, tendo um grande impacto na sua qualidade de vida.

 

Endometriose: o que é?

 

A endometriose é uma doença que se caracteriza pela presença de tecido semelhante ao endométrio (tecido que reveste o útero) fora do útero, podendo localizar-se, por exemplo, nos ovários, bexiga, intestinos, trompas de Falópio, entre outros.

Durante o período menstrual, o endométrio torna-se mais espesso, preparando o útero para receber o óvulo fecundado. Caso não haja fecundação, a camada extra de endométrio que é gerada nessa altura desprende-se do útero, sendo expelida naturalmente pelo organismo.

Num quadro de endometriose, estas células endometriais prendem-se em tecidos e órgãos próximos, provocando cólicas e dores intensas.

Esta é uma doença inflamatória crónica, sendo que, na maioria dos casos, não tem cura, sendo apenas possível controlar os sintomas.

Cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva é afectada pela endometriose, com um grande impacto na sua rotina e qualidade de vida.

 

Quais as causas?

 

Não existe até ao momento uma causa – ou causas – definida para o aparecimento desta doença, que terá sido identificada pela primeira vez em 1860.

Apesar dos estudos que têm sido feitos ao longo dos anos, a comunidade científica não conseguiu ainda perceber que factores estão na origem da endometriose.

Esta é uma doença difícil de identificar, por várias razões: a primeira está ligada à normalização da dor, associada à menstruação, o que atrasa o diagnóstico, por não se considerar que haja um problema. Depois, apesar de ser um tema que começa a ser mais falado, existe ainda alguma falta de informação/consciencialização sobre a endometriose. Por fim, uma vez que pode afectar vários órgãos, os seus sintomas podem ser muito variados, localizando-se em diferentes partes do corpo, confundindo-se com outras doenças e não sendo muitas vezes uma opção óbvia.

 

 

 

Quais os sintomas?

 

A dor é o primeiro sintoma apontado por quem sofre com esta condição. Dismenorreia (dor pélvica associada à menstruação), dispareunia (dor/desconforto que surge durante ou após a relação sexual), disúria (ardor/desconforto ao urinar), disquézia (dor ao evacuar) e dor pélvica crónica são alguns dos sintomas que podem ser causados pela endometriose. É importante referir que os sintomas variam muito de pessoa para pessoa, bem como a extensão das dores/desconfortos.

Existem ainda outras manifestações clínicas da doença – como a infertilidade ou dificuldades em engravidar – pelo que é essencial procurar o seu médico para que possa avaliar a situação da melhor forma.

 

Como tratar a endometriose?

 

Não existe um tratamento único para a endometriose. Sendo uma condição que pode apresentar vários quadros clínicos, existem várias opções para amenizar os efeitos da doença, devendo optar-se por uma abordagem personalizada e até multidisciplinar, de acordo com cada quadro. Alguns dos tratamentos realizados são:

Tratamento hormonal (pílula): eficaz no controlo da dor, mas deve ter-se em conta os efeitos secundários de alguns tipos de medicação.

Tratamento cirúrgico (laparoscopia): uma abordagem minimamente invasiva e uma recuperação mais rápida, que deve ser considerada em casos de endometriose avançada. Idealmente, a cirurgia deverá ser radical relativamente à doença, mas preservando a fertilidade e o normal funcionamentos dos órgãos.

Tratamento complementar (estilo de vida): o estilo de vida – não sendo obviamente uma garantia para evitar doenças – tem um papel fundamental na manutenção de um organismo saudável e resistente. Garantir uma boa noite de sono, fazer actividade física com regularidade, cuidar da alimentação e viver uma vida com um baixo nível de stress são alguns factores que podem ajudar a lidar com os sintomas. No que diz respeito à alimentação, devem ser evitados os alimentos inflamatórios, como o leite de origem animal, alimentos processados, farinha branca e açúcar, de forma a não inflamar o organismo. Além disso, deve incluir ómega-3 na sua dieta, pois este nutriente anti-inflamatório impede o desenvolvimento de lesões. Encontra esta gordura em alimentos como o atum, salmão, vegetais de folha escura, azeite, nozes e amêndoas.

 

 

Exercício físico e endometriose

 

O exercício físico deve fazer parte de um estilo de vida saudável, tendo grande impacto na saúde física e mental. No que diz respeito mais concretamente a quadros de endometriose, existem vários benefícios associados a uma prática de exercício físico regular:

 

– Permite o fortalecimento muscular e correcção da postura, o que ajuda a combater a contracções musculares e problemas na postura, típicas de um contexto de dores crónicas;

– Aumenta os níveis de serotonina no organismo, melhorando o humor;

– Elimina as toxinas acumuladas nas células;

– Fortalece o sistema imunitário;

– Relaxa os músculos, ajudando quem sofre de endometriose ao reduzir a dor associada à doença;

– Ajuda o organismo a lidar com situações de stress, que tendem a agravar os sintomas;

– Liberta endorfinas, neurotransmissores com um efeito analgésico e que promovem a vasodilatação, que juntamente com a redução do stress, reduz os níveis de estrogénio no organismo, hormona necessária ao desenvolvimento da doença.

 

Caminhadas, pilates, yoga, treino de força ou natação são alguns exemplos de exercícios que a podem ajudar a lidar com os sintomas da endometriose.

 

Procure sempre o apoio de um profissional, que a possa orientar da melhor forma relativamente aos exercícios mais indicados para a sua condição, evitando aqueles que possam agravar a intensidade das dores.

 

 

Qual o papel da osteopatia num diagnóstico de endometriose?

 

O tratamento osteopático olha para o corpo como um todo, tendo como foco principal o seu equilíbrio, facilitando a auto-cura.

Veja de que forma a osteopatia actua no que diz respeito ao alívio dos sintomas da endometriose:

 

– Restabelece as estruturas, mobilidade e sistemas corporais, favorecendo a drenagem linfática e venosa, descongestionando a região pélvica e abdominal, recuperando a mobilidade do útero, ovários e trompas de Falópio e diminuindo a compressão;

– Alinha a estrutura pélvica, optimizando a acção muscular dessa região;

– Equilibra a zona lombar e sacroilíaca – articulação entre o osso sacro e os ossos ilíacos – normalizando a sua vascularização.

– Melhora a mobilidade dos tecidos e órgãos do pavimento pélvico, diminuindo as dores;

– Liberta as estruturas vertebrais pélvicas e fáscias das vísceras, promovendo o bom funcionamento do organismo, reduzindo as cólicas menstruais e desconfortos;

– Alivia a dor lombar (a endometriose pode atingir os ligamentos útero-sacrais, que terminam no final da coluna, provocando dor lombar).

 

Sentir dores, cólicas ou qualquer outro tipo de desconforto durante a menstruação, de forma a prejudicar a sua rotina, não é normal.

Se foi diagnosticada com endometriose, saiba que – apesar de não haver ainda cura – existem formas de aliviar os sintomas.

Cuide da sua alimentação, durma, faça exercício e mantenha o mais possível uma rotina livre de stress. Procure ajuda, de forma a encontrar a melhor abordagem para o seu caso, uma abordagem personalizada e integrada.

Celebrei recentemente uma parceria com a MulherEndo – Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose. Se for sócia desta associação, terá descontos nos meus serviços. Para mais informações, entre em contacto comigo.

Recupere qualidade de vida e o prazer de viver!